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Agricultor vence a Febre Amarela

Quase um mês depois de receber alta do Instituto de Saúde Bom Jesus de Ivaiporã, o agricultor Eloy Guilherme Stoklosa, 28 anos, o primeiro caso de febre amarela silvestre autóctone no estado, esteve nesta quarta-feira (9), na Clinica Instituto do Rim, fazendo sessão de hemodiálise e concedeu a primeira entrevista a imprensa, após ter contraído a doença.

No dia 29 de fevereiro Juarez Stoklosa, 35 anos, irmão de Eloy, que também contraiu o vírus da doença, faleceu em um hospital de Guarapuava, sem realizar os exames. Em razão da análise clínico-epidemiológica, a secretaria do estado diagnosticou como morte causada pela febre amarela.

O agricultor Eloy reside na localidade de Mirim na cidade de Laranjal a aproximadamente oito quilômetros da cidade de Altamira do Paraná.

Ele conta que junto com o irmão Juarez, trabalhou desde o início de fevereiro em uma mata de pouco mais de 20 alqueires, próxima a sua residência. “Nós estávamos procurando madeira para fazer palanque de cerca e encontramos dois macacos mortos.

Como eles estavam estorvando nosso trabalho, o Juarez mexeu com eles e em seguida colocou fogo nos bichos. Alguns dias depois começamos a passar mal”.

Ele relata que a mata é muito movimentada por pessoas, pois ela fica entre duas fazendas.

ARREPENDIDO - Eloy também cita que está arrependido de não ter tomado a vacina, pois em 1999, quando da campanha contra a febre amarela, a mãe pediu para que ambos os irmãos fossem se vacinar, “nós estávamos trabalhando e achamos que era bobeira.

E justamente pela falta da vacina, tivemos essa tragédia na nossa família. Por isso, eu alerto a quem ainda não se imunizou, não deixe para depois”, assinala Eloy.

Um terceiro irmão dos afetados, Hélio Stoklosa, 38 anos, que na campanha de 1999 foi imunizado, relata que uns 10 dias antes dos irmãos terem sido contaminados, ele também teve contato com um macaco que estava agonizando prestes a morrer, “assim como meus irmãos, eu também mexi com o macaco para ver o que estava acontecendo, tive muita sorte de ter tomado a vacina na campanha de 1999”, pondera Hélio.

"Recuperação é satisfatória", diz médico

O médico nefrologista Marcos Gevert, de Ivaiporã, explica que em virtude da insuficiência renal provocada pela febre amarela, Eloy Guilherme Stoklosa necessita de sessões regulares de hemodiálise (filtragem do sangue).

Gevert revela que a evolução do paciente tem sido muito satisfatória, e vem apresentando uma franca recuperação das funções renais. "Provavelmente até o final de maio Eloy deve ter alta definitiva das sessões de hemodiálise", avalia a o médico nefrologista.

VÍRUS - Atualmente, o vírus da febre amarela circula nas áreas de matas. Não há registro de casos urbanos desde 1942.

Por ação preventiva, o Ministério da Saúde acompanha todas as mortes registradas de macacos, que são hospedeiros dos vírus.

No próximo ano (2009) uma grande parte da população que foi imunizada na campanha de 1999 deve procurar os postos de saúde, já que essa proteção tem efeito por dez anos

A vacinação continua e as pessoas que ainda não foram imunizadas devem procurar as unidades de saúde nos municípios da região.

"Estava tão mal, que pensei que iria morrer", diz Elóy

Eloy Guilherme Stoklosa relata ainda ainda que quando foi transferido para o Instituto de Saúde Bom Jesus de Ivaiporã no dia 28 de fevereiro, ele estava com a saúde bastante debilitada, com muita febre e dor de cabeça e achava que ia morrer “eu estava mal, tinha febre alta e só queria dormir.

Por isso, não posso deixar de agradecer a Deus e aos médicos, José Siqueira e Elizabete Moraes, que cuidaram de mim, também o pessoal do hospital e da clínica de hemodiálise, que me ajudaram bastante e foram muito profissionais ao detectar minha doença e me tratarem.

Na verdade, eu nasci de novo”, conclui Eloy.

Segundo o nefrologista Marcos Gevert, responsável pelo Instituto do Rim de Ivaiporã, o paciente Eloy Guilherme Stoklosa, foi admitido no Instituto de Saúde Bom Jesus, através de vaga cedida pelo hospital à Central de Leitos.

"O paciente apresentava o quadro de febre amarela silvestre grave, com comprometimento multi sistêmico e com insuficiência renal aguda. O caso foi muito bem conduzido pela médica nefrologista Elizabete Moraes e pelo médico intensivista José Francisco Siqueira, chefe da U.T.I. do Bom Jesus”, destaca Gevert.

O médico de Ivaiporã diz ainda que houve uma drástica mudança do quadro que o paciente até então apresentava, "isso graças aos excelentes cuidados preliminares dispensados pela equipe médica".

fonte: Tribuna do Norte

   
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